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Patrono: Celso Furtado |
Por uma política de promoção do pleno emprego no Brasil. | Atualizado em: 29/09/2008 |
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FELIZ 2006 Gerson Lima* Agora no final de 2005 tudo indica que o PIB do Brasil, ou seja, a soma de tudo que foi produzido e vendido ao consumidor brasileiro neste ano, terá crescido alguma coisa entre 1 e 2,5%, descontada a inflação. O número final depende da fórmula de cálculo da inflação que será usada neste desconto. O fator mais importante para explicar este crescimento foi o salário mínimo que, na média, aumentou 33 reais por mês. Tirando a inflação esperada, menos de vinte reais. É lamentável. Para muitos brasileiros, isto significou apenas sair da miséria 100 para a miséria 99. O segundo fator foi a expansão real dos gastos do governo com seus servidores, seus hospitais, suas escolas, etc, ou seja, o total dos gastos do governo exceto o pagamento de juros. O brasileiro deveria agradecer o fato do governo não conseguir cortar seus gastos pois, se conseguisse, as vendas de todas as empresas cairiam e o Brasil andaria para trás. A taxa de câmbio continuou nos seus altos e baixos e, neste ano, jogou contra o brasileiro. Mas isto seria de se esperar que acontecesse, a partir do momento que começou a entrar muito dólar em busca de aplicação financeira no Brasil, país campeão mundial de futebol e de taxa de juros. Com isso, aumentou em muito a oferta de dólar e o seu preço começou a despencar. Não fosse esta queda, a taxa de crescimento do PIB do Brasil teria sido maior em dois pontos de porcentagem. Em outros termos, esta política monetária disfarçada de cambial jogou no ralo cerca de 40 bilhões de reais. A política de juros altos para combater a inflação na teoria e enriquecer banqueiros na prática teve um efeito negativo um pouco menor que o da taxa de câmbio. Somadas as duas, ou seja, no conjunto da política monetária, o efeito de queda da produção por conta da taxa de juros nas alturas foi de tamanho igual ao do efeito positivo da política fiscal. Assim, o que a política fiscal fez em favor do crescimento da produção brasileira e do emprego dos brasileiros foi estragado pela política monetária. Sobra líquido então o salário mínimo como explicação de porque o Brasil cresceu em 2005. Triste, não? A perspectiva para 2006 é uma repetição da história, com exceção da taxa de câmbio. Não parece razoável imaginar que o dólar continue a cair, de forma a se ter um preço médio menor no ano seguinte. Mas, também parece puro otimismo de exportador achar que o dólar vai subir e estimular as exportações brasileiras. Somando e dividindo, o câmbio provavelmente não mudará muito nos próximos doze meses. Se assim for e, mantidas as tendências do salário mínimo e das políticas fiscal e monetária, o Brasil crescerá em 2006 dois pontos de porcentagem mais do que em 2005. Se neste ano der 2%, em 2006 dará 4%. É claro que o governo dirá que sua política econômica foi um sucesso, mas a verdade é que terá sido impossível piorar ainda mais a taxa de câmbio, enquanto o salário mínimo e os gastos do governo cumprirão o papel de fazer crescer as vendas da indústria e de todas as outras empresas instaladas no país. Quanto à inflação, o sucesso do programa de metas em 2005 deve-se à taxa de câmbio. Neste sentido, pode-se afirmar que deu certo manter a taxa de juros Selic em níveis absurdos, não porque desestimulou o consumo, mas sim porque permitiu a valorização do real. A queda do preço do dólar teve um efeito antiinflacionário de tamanho suficiente para compensar a inflação causada pela expansão dos gastos do governo. Por outro lado, a contribuição da política monetária isoladamente, fora a valorização do real, teria sido de modestos 0,6 pontos percentuais. Na expectativa do mercado financeiro ao final do ano, a inflação de 2005 seria de 5,7%. Sem a política monetária de juros altos, a inflação do IPCA em 2005 seria de 6,3%. Um resultado modesto para os mais de 160 bilhões de juros pagos pelo governo durante o ano, que levou a uma emissão de mais de 60 bilhões de reais em dinheiro vivo para os aplicadores em títulos da dívida pública. Apesar deste gasto exagerado e improdutivo, e deste disparate de se emitir moeda para prolongar o suplício de uma taxa de juros inútil e insustentável, a política monetária confirma mais uma vez na prática que ela não é, teoricamente, capaz de atingir o objetivo assumido do combate à inflação. Concluindo a história, a inflação de 2005 explica-se, basicamente, pela elevação dos preços administrados, supostamente controlados pelo governo. Para 2006 a expectativa é de um aumento da inflação, mais uma vez por conta da quase impossibilidade de se baixar ainda mais o preço do dólar. Os preços vão subir em conseqüência do aumento do salário mínimo e dos gastos fiscais do governo que, por sinal, não vão aumentar tanto quanto se espera que aconteça num ano eleitoral. Os preços administrados darão em 2006 uma contribuição menor para a inflação e, como sempre, a taxa de juros Selic será insignificante no contexto. Mesmo assim, os analistas de bancos farão coro pelo aumento da taxa Selic, como lhes é característico. Se o Brasil for hexa, esta alta talvez seja feita em 19 de julho. Será apenas uma má notícia no meio de outras boas como o crescimento do emprego. Parece, contudo, que será possível segurar este aumento até a eleição. Mas, quem quer que seja o novo presidente, a Selic subirá no dia 29 de novembro, mesmo que já tenha subido antes. * Gerson Lima, autor de Povo Rico País Rico , é doutor em Economia pela Universidade de Paris, conselheiro do Corecon-PR, professor da PUC-PR, ex-analista de mercado da Quimbrasil SA e ex-assessor econômico da Casa Civil da Presidência da República, no Governo Itamar Franco. E-mail: gerson@macroambiente.com.br . |