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Patrono: Celso Furtado
Por uma política de promoção do pleno emprego no Brasil.
Atualizado em: 29/09/2008

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Artigos

A árvore de dinheiro

Gerson Lima

Para que você possa comprar mais é preciso mais dinheiro para gastar. Se todos que compram no país têm sempre a mesma renda, o país não cresce. Para que o país cresça, é indispensável que apareça alguém com mais dinheiro para gastar.

Se cada pessoa tivesse uma árvore de dinheiro para expandir suas compras, as fábricas produziriam mais, haveria mais empregos, e o país onde elas moram seria mais rico. Contudo, se cada pessoa saísse gastando à vontade, aconteceria uma inflação descontrolada. Portanto, o país precisa de uma árvore de dinheiro, mas também precisa controlar o uso desta árvore.

Ninguém até hoje encontrou uma árvore de dinheiro para seu uso exclusivo, mas o fato é que existe uma árvore de dinheiro que pertence à sociedade como um todo. Esta árvore é o Banco Central que, no mundo organizado, é a única instituição que pode fabricar dinheiro. Modernamente, a maior parte do dinheiro emitido pelo Banco Central vem na forma de crédito. Se você trabalha para o governo, recebe um contracheque avisando que foi feito um depósito na sua conta. Se você vende qualquer outra coisa para o governo, você recebe um cheque e deposita na sua conta no seu banco.

A Casa da Moeda fabrica notas e moedinhas, sempre sob encomenda e responsabilidade do Banco Central. Este, por sua vez, distribui este dinheiro real aos bancos, debitando a conta deles no Banco Central. No geral, o governo não paga as contas dele com notas e moedas. Se você as quiser, vai ter que ir sacar de sua própria conta nos caixas automáticos. Na prática, o governo só usa dinheiro virtual, ou seja, crédito eletronicamente transferido de uma conta para outra conta bancária.

No resto do mundo industrializado, o Banco Central é propriedade privada, mas seus donos são espertos o suficiente para não fazer dinheiro para uso pessoal imediato. Eles sabem que isto atrairia muito a atenção de todos, e haveria uma guerra para tomar o privilégio deles. Eles só fazem dinheiro para emprestar aos outros. Depois, ficam ricos recebendo os juros. Azar do povo, cujo governo, para fazer crescer a economia, é obrigado a tomar dinheiro emprestado dos monopolistas da emissão de moeda.

No Brasil, entretanto e para sorte dos brasileiros, o Banco Central é público. O Banco Central do Brasil (bc.gov.br) é uma autarquia federal dirigida e administrada por servidores públicos pagos com os impostos recolhidos da população. Ou seja, o governo brasileiro tem uma árvore de dinheiro.

Resumindo, a expansão da economia exige mais dinheiro. Quem faz dinheiro é o Banco Central. O Banco Central do Brasil é do governo. Portanto, o governo brasileiro poderia expandir a economia - ele tem dinheiro para isto. O governo brasileiro poderia estar fazendo dinheiro para estimular o crescimento da produção e do emprego no Brasil. Mais ainda, o governo brasileiro tem o instrumento certo para fazer o indispensável controle da emissão e do uso do dinheiro, assim mantendo a inevitável inflação sob controle e menor do que hoje se vê. Este instrumento certo é o orçamento do governo.

O orçamento do governo obedece a normas rígidas, de domínio público, e tem que ser precedido de um plano estratégico. O plano e o orçamento são apreciados, modificados e aprovados pelo poder legislativo. Uma vez aprovado, o poder executivo executa o orçamento, e as contas são conferidas pelo Tribunal de Contas, um braço do poder legislativo. O orçamento público poderia prever um gasto com compras da indústria nacional maior do que a receita de impostos, o que expandiria a produção e o emprego. Caberia então ao Banco Central criar o dinheiro para pagar a conta. O limite para esta política está no potencial de crescimento da capacidade produtiva. Respeitado este limite físico, o governo poderia expandir suas compras e criar mais empregos para os brasileiros, até que nenhum deles estivesse desempregado.

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